No dia 12.09, a Abraceel realizou mais uma edição da Sexta Livre, série de lives promovida pela Associação, no qual são debatidos temas relevantes ao mercado livre de energia. Essa edição contou com apresentação de Túlio Alves, Diretor-Executivo da Comissão de Integração Energética Regional (CIER), que destacou a situação das interconexões internacionais na América do Sul, os benefícios da integração, como otimização do uso de recursos naturais, economia de escala e maior segurança de abastecimento, e as barreiras que ainda precisam ser superadas para ampliar os intercâmbios de energia. Destaque para as seguintes explicações:
- Há grande potencial de exportação e importação entre os países da América do Sul. Em geral, segundo Túlio Alves, países com reserva de energia acima de 40% têm tendência de ter energia exportável. O pré-requisito está presente em quase todos os países da região;
- O volume de intercâmbio de energia atingiu quase 40 mil GWh em 2023 na América do Sul – o pico foi de 51 GWh em 2016. Cerca de 90% desse volume está concentrado em três hidrelétricas Yacyretá (Argentina-Paraguai), Salto Grande (Argentina-Uruguai) e Itaipu (Brasil-Paraguai);
- Mapeamento da CIER mostra as interligações existentes e previstas na América do Sul. São 44 linhas, das quais só 17 são operacionais e uma em construção. Seriam necessários cerca de US$ 6 bilhões de investimentos para construir os projetos em estudo;
- Há restrições físicas, mas também regulatórias e tributárias que dificultam crescimento das operações e aproveitamento maior do potencial de exportação e importação de energia no continente;
- Colômbia e Equador promovem pregões eletrônicos diários de importação e exportação de energia entre eles “sem grandes dificuldades”. Os operadores de sistema dos dois países têm de informar, para o dia seguinte, as necessidades e disponibilidades de energia, incluindo preço referencial de compra ou venda;
- As negociações para revisão do Anexo C do Acordo de Itaipu ganham importância diante do mais recente planejamento estratégico de energia do Paraguai. É possível que o Paraguai não tenha energia excedente de Itaipu para entregar ao Brasil a partir de 2032 ou 2033, diante do crescimento da carga local de 7% ao ano, fruto do movimento de atração de empresas impulsionado por um modelo de tributação simplificado.
