* Novos filtros do Match da Energia permitem comparar resultados de planejamento e operação por fonte de geração, usina, grupo, tipo de combustível, subsistema, base de referência de planejamento, hora, dia ou mês, entre outras categorias
A Abraceel e a Volt Robotics apresentam ao mercado o Match da Energia 2.0, uma versão ampliada da plataforma original desenvolvida pela Volt Robotics que, agora, integra mais bases de dados e filtros e, dessa forma, permite mergulhar com ainda mais profundidade nas análises para comparar as estimativas dos modelos computacionais de planejamento e formação de preços da geração de energia com a geração real das usinas. A apresentação foi realizada pelo canal da Abraceel no YouTube.
A disponibilidade de novos filtros e dados mais granulares permite monitorar o acoplamento de forma pormenorizada entre planejamento e operação real da geração de energia por fonte de geração (térmica, hídrica, eólica e solar), inclusive por usina, por grupo (usinas de cabeceira ou a montante), por tipo de combustível, estado ou subsistema, por base de referência de planejamento (Dessem CCEE, Dessem ONS, programação diária e operação real), por hora, dia ou mês, entre outras categorias.
Para demonstrar o potencial de análise da nova plataforma, a Volt Robotics elaborou para a Abraceel um estudo que analisa o comportamento do planejamento e da operação do sistema elétrico no último período úmido, compreendido entre dezembro de 2024 e abril de 2025.
“A melhora dos indicadores de acoplamento é uma área de atuação da Abraceel há muito tempo e, agora, damos um salto qualitativo, com bases de dados ampliadas que nos permitem contribuir para melhorar a aderência entre planejamento e operação. Desejamos ter uma visão bastante propositiva e avaliar propostas de aprimoramento com maior precisão”, explicou Rodrigo Ferreira, presidente-executivo da Abraceel.
Geração termelétrica em destaque – A análise do período úmido realizada pela Volt Robotics mostra que a geração termelétrica foi o único segmento que produziu acima do patamar indicado pelos modelos computacionais. Isso ocorreu em todos os meses do período úmido. Nessa fonte, a aderência entre as indicações dos modelos e geração real no período úmido foi de 61%. A aderência foi muito baixa para usinas flexíveis (chegou a zero entre janeiro e abril) e mais elevada para usinas inflexíveis (em média, 82%).
No entanto, quando a geração real é comparada à Programação Diária da Operação, a aderência aumenta. Essa programação é um ajuste fino promovido pelo ONS e considera restrições não capturadas pelos modelos. A análise revela que, nesse caso, há um salto de qualidade e o “match” aumenta tanto para usinas flexíveis como inflexíveis. Além disso, os desvios são mais baixos.
“Os dados, cada vez mais individualizados, mostram a importância da flexibilidade para uma relação mais realista entre planejamento e operação na geração térmica. Nas hidrelétricas, visualizamos as diferenças entre usinas a montante e a jusante. Nas fontes eólica e solar, há desvios mesmo quando desconsideramos os cortes de geração que vêm afetando esses setores. Estudar esses comportamentos nos ajuda a entender quais são as perguntas que precisam ser realizadas e contribuir de forma mais qualificada”, revela Donato Filho, CEO da Volt Robotics.
Geração hidrelétrica em destaque – Já na geração hidrelétrica, a produção foi inferior ao que os modelos computacionais indicaram em 99% do tempo. Na média, a aderência entre planejamento e operação real foi de 65% a 72% nos meses do último período úmido. Enquanto as térmicas produziram energia acima dos patamares indicados pelos modelos, as hidrelétricas geraram menos.
A maior granularidade de dados agora disponível permitiu detectar, por exemplo, que a geração efetiva segue de forma mais próxima ao planejamento nas usinas a jusante do que nas usinas a montante. “Esses resultados refletem a política de alocação de volume de espera nos reservatórios a montante, mais conservadora que a indicada nos modelos”, aponta o relatório da Volt Robotics elaborado para a Abraceel.
Geração eólica e solar abaixo do planejado – Na geração eólica, mensalmente, a aderência entre planejamento e geração real no período úmido ficou entre 80% e 88%. Na maior parte do tempo, a geração eólica realizada foi inferior à previsão do modelo computacional Dessem. A possibilidade de verificar o cruzamento detalhado de dados diários mostrou que, no dia 4 de fevereiro, por exemplo, a geração eólica correspondeu a apenas 66% do que foi indicado pelo modelo, um recorde negativo abaixo da média.
No caso da geração solar centralizada, o comportamento foi similar à eólica. A relação entre o que os modelos indicaram e o que foi de fato gerado foi de 83% na média entre dezembro de 2024 e abril de 2025. Em média, 36% das previsões de geração do Dessem foram superiores ao realizado, e 35% ficaram próximas do realizado. No dia 6 de abril, houve um destaque negativo: “match” de apenas 37%. “A análise da curva horária revela que a geração real ficou substancialmente abaixo da prevista pelo modelo em diversos momentos do dia”, aponta o relatório produzido pela Volt Robotics, que indica dificuldade de os modelos computacionais de planejamento capturarem os cortes de geração de forma adequada.
Acesso o vídeo de apresentação no canal da Abraceel no YouTube.
