concorrência isonômica – ABRACEEL https://abraceel.com.br Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia Tue, 25 Feb 2025 15:39:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Com Open Energy e concorrência, Aneel abre CP para aprimorar regulação diante da abertura do mercado https://abraceel.com.br/blog/2025/02/com-open-energy-e-concorrencia-aneel-abre-cp-para-aprimorar-regulacao-diante-da-abertura-do-mercado/ Tue, 25 Feb 2025 14:49:47 +0000 https://abraceel.com.br/?p=22714 No dia 18 de fevereiro, a Aneel aprovou a abertura da Consulta Pública 07/2025, cujo objetivo é receber contribuições para as minutas de resolução normativa e manuais voltados ao aprimoramento regulatório dos serviços de distribuição em decorrência da abertura do mercado para consumidores do Grupo A. O escopo inclui temas importantes como a operacionalização do Open Energy e medidas para preservar a concorrência no mercado varejista, em linha com sugestões anteriormente feitas pela Abraceel, bem como outros que são centrais para o mercado livre de energia elétrica.

Sustentação Abraceel

Durante a reunião da Diretoria que sancionou a abertura da nova consulta pública, Bernardo Sicsú, Vice-Presidente de Estratégia e Comunicação da Abraceel, realizou sustentação oral e destacou o trabalho da Diretoria e do Diretor-Relator Ricardo Tili, bem como das áreas técnicas envolvidas no processo, ressaltando a relevância da consulta para a evolução do mercado livre de energia.

Sicsú também mencionou o crescimento do mercado livre de energia em 2024, especialmente entre consumidores varejistas, e os avanços já promovidos pela Aneel, como a adoção do modelo simplificado e a possibilidade de CCER com prazo indeterminado, permitindo que o consumidor migre para o ACL em até 180 dias após a denúncia do contrato – prazo que poderá ser reduzido com a nova regulamentação.

Outro ponto abordado pelo Vice-Presidente da Abraceel foi a importância da Consulta Pública 28/2023 da Aneel, que permitiu discutir a criação do Open Energy, cujo propósito é dar ao consumidor acesso e permissão de compartilhar os próprios dados de consumo de energia e, assim, ser beneficiado com a concorrência.

Além disso, Sicsú reforçou a importância da discussão sobre defesa da concorrência no mercado varejista, tema debatido na Tomada de Subsídios 14/2024 da Aneel, que objetiva garantir ambiente isonômico de competição entre os agentes, o que beneficia os consumidores.

Propostas em discussão

A área técnica da Aneel apresentou os principais objetivos da CP 07/2025, que incluem o aprimoramento do desenho regulatório para a abertura de mercado, com foco na simplificação, clareza, segurança aos consumidores, estímulo à competitividade e preparação para a futura inclusão dos consumidores do Grupo B. Entre as propostas em discussão, estão:

  • simplificação do processo de denúncia do contrato, com redução de prazos e desregulamentação da migração parcial;
  • emissão da fatura: realização de sandbox regulatório para testar o faturamento unificado pelo comercializador, seguindo modelos adotados em outros países, além da criação de um grupo de trabalho para padronização das faturas;
  • aplicação de descontos na migração para o ACL: objetiva ter-se maior clareza sobre a concessão dos descontos e padronização da vedação à cumulatividade desses benefícios.

No que se refere à concorrência, duas das quatro propostas da CP 07/2025 já haviam sido debatidas na TS 14/2024 da Aneel e buscam fortalecer a competição no mercado. Essas propostas incluem:

  1. proibição do uso de marca e logotipo por distribuidoras e comercializadoras do mesmo grupo econômico que possam gerar confusão na identificação das empresas, com prazo de 24 meses para implementação;
  2. vedação do compartilhamento de recursos humanos ou infraestrutura entre distribuidoras e comercializadoras do mesmo grupo econômico;
  3. proibição de condutas da distribuidora que favoreçam comercializadoras do mesmo grupo; e
  4. proibição de práticas que atrasem, dificultem ou representem ameaça ao direito de migração dos consumidores para o ACL.

A regulamentação do Open Energy também foi debatida, tendo como base a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que garante ao consumidor o direito de acesso aos seus próprios dados, compartilhamento mediante consentimento prévio e possibilidade de revogação desse consentimento a qualquer momento.

Além disso, o Decreto 12.068/2024, que trata da renovação das concessões, reforça a necessidade de proteção dos dados custodiados, tratamento adequado dos dados pessoais e compartilhamento de informações de forma isonômica e não discriminatória.

No contexto internacional, foi citado o estudo realizado pela consultoria BIP Group para a Abraceel sobre iniciativas de Open Energy em outros países, com destaque para o modelo Green Button, dos Estados Unidos, que é base para a proposta da Associação e da Aneel. As alternativas regulatórias estão dispostas na Análise de Impacto Regulatório (AIR), sendo recomendada pelo regulador a adoção de um roteiro para implementação do Open Energy em duas fases:

  • Primeira fase (a partir de 2026): acesso aos próprios dados por meio de uma interface padronizada; e
  • Segunda fase (a partir de 2027): compartilhamento de dados via APIs, mediante consentimento prévio do consumidor.

Acesse aqui a Nota Técnica Aneel 01/2025 que embasa a CP 07/2025.

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Abraceel apresenta propostas para simplificar jornada ao mercado livre e garantir a concorrência isonômica https://abraceel.com.br/press-releases/2024/06/abraceel-apresenta-propostas-para-simplificar-jornada-ao-mercado-livre-e-garantir-a-concorrencia-isonomica/ Tue, 25 Jun 2024 16:29:31 +0000 https://abraceel.com.br/?p=21196 * Associação dos comercializadores sugere medidas para padronizar e simplificar processos em benefício do consumidor que decide comprar no mercado livre de energia;

* Propostas também buscam aumentar transparência da informação e fortalecer regulação para Aneel combater abusos contra a concorrência na busca de consumidores livres;

* Estudo complementar propõe consulta pública para o Open Energy, de tal forma que o consumidor possa compartilhar dados individuais de consumo, favorecendo o recebimento de ofertas melhores da concorrência.

 

A Abraceel entregou contribuição para a Aneel no âmbito da segunda fase da Consulta Pública 28/2023, que colheu nova rodada de propostas para operacionalizar os comandos regulatórios que regem a comercialização varejista de energia, modalidade que será cada vez mais importante conforme o mercado livre de energia é liberado para novos grupos de consumidores, de menor porte, e avança para se tornar um amplo mercado de varejo, abarcando potencialmente todos os mais de 90 milhões de consumidores brasileiros de energia elétrica.

No radar da Abraceel, que representa 113 comercializadoras, que negociam 70% do volume de energia no segmento, as propostas se concentraram em duas áreas.

  • A primeira é a melhoria, padronização e simplificação da regulação que rege a jornada dos consumidores que optam por comprar no mercado livre de energia, tema central da consulta pública.
  • A segunda é o combate a práticas que enfraquecem a concorrência no mercado, com sugestões para ampliar a transparência da informação, fortalecer a fiscalização e garantir competição isonômica entre os agentes, de forma que a Aneel possa atuar em casos de abuso de poder econômico.

As sugestões da Abraceel foram baseadas em debates com as empresas comercializadoras associadas e em casos detalhados recebidos pelo FaleAqui!, canal de comunicação criado internamente descrevendo dificuldades dos consumidores na jornada de migração ao mercado livre..

A Abraceel reconheceu na contribuição que um dos principais avanços trazidos na segunda fase da CP 28/2023 foi oferecer detalhes do modelo simplificado de representação de consumidores varejistas, que será realizado no sistema informatizado da CCEE, que centralizará o fluxo de dados da migração dos consumidores ao mercado livre de energia. Mas, dada a conexão com a pauta central, aproveitou a consulta pública para oferecer propostas para garantir a competição isonômica no mercado livre de energia.

Para Rodrigo Ferreira, Presidente-Executivo da Abraceel, a segunda fase da consulta pública 28/2023 da Aneel é chave para operacionalizar diretrizes já definidas pelo regulador e apoiar o movimento atual de abertura do mercado: “Estamos observando um crescimento sem precedentes no mercado livre. Para pavimentar essa jornada do consumidor em busca de energia mais barata e renovável, são fundamentais as iniciativas discutidas na Aneel para simplificar e padronizar a migração ao mercado livre, bem como estabelecer medidas que assegurem a competição isonômica no mercado, beneficiando os consumidores em busca de melhores condições de fornecimento”.

 

Propostas para simplificar e padronizar o processo de migração ao mercado livre

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Proposta Relevância
Garantir que a migração de consumidores ao mercado livre ocorra pelo modelo simplificado sem necessidade de adequação do sistema de medição para aqueles consumidores que já são telemedidos. Medida é relevante para não postergar ou impedir o desejo do consumidor com exigências desnecessárias solicitadas pelas distribuidoras, pois o consumo dele já era medido no mercado regulado, o que não indica uma necessidade de adaptações da medição ao mudar o ambiente de contratação.
Prever que a denúncia – etapa pela qual o consumidor informa a distribuidora que deixará de comprar energia elétrica com ela no mercado regulado e passará a fazê-lo no ambiente competitivo – seja realizada no novo sistema informatizado da CCEE. Evitar falhas de comunicação com a distribuidora que acabam postergando ou impedindo a migração do consumidor ao mercado livre de energia. A Abraceel, em estudo, mapeou 208 casos documentados mostrando dificuldades no processo de migração, dos quais “85 são problemas que ocorrem na denúncia do contrato, a maioria por dificuldade de comunicação com a distribuidora, seja pela demora excessiva para respostas e falta de retorno ou pela dificuldade para encontrar os responsáveis e orientações para iniciar a migração”.
Prever penalidade para casos em que a distribuidora descumprir prazos de validação de cadastro, quando os dados do consumidor que decidiu migrar ao mercado livre são registrados, inclusive listando motivos válidos, bem como estabelecer o que acontece na sequência. Objetivo é desencorajar medidas protelatórias por parte das distribuidoras, incentivando a solução célere dos casos em que a migração do consumidor para o mercado livre de energia seja negada.
Publicar manual com perguntas e respostas sobre o processo de migração de consumidores varejistas ao mercado livre de energia no site da Aneel no prazo de 90 dias. Nivelar o entendimento e procedimentos dos agentes envolvidos e facilitar a vida do consumidor, padronizando etapas para a migração de forma que estejam claras as fases desnecessárias ou exigências descabidas de forma discricionária.
Eliminar a exigência de apresentação da Declaração de Histórico de Consumo (DHC), que traz dados das 12 últimas contas de luz dos consumidores, no sistema informatizado da CCEE. Desburocratizar o processo de migração, deixando de exigir informação que passou a ser desnecessária após mudanças regulatórias.

 

 

Propostas relacionadas ao combate de práticas que restringem a concorrência

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Proposta Relevância
Restabelecer a divulgação de informações dos consumidores de energia na modalidade varejista, incluindo dados que permitam analisar o comportamento individual de cada unidade consumidora, mas não os dados que possibilitem identificar o consumidor, de forma a não ferir a legislação sobre proteção de dados. Permitir que os agentes do mercado produzam estudos e análises de inteligência, a exemplo dos que possibilitam visualizar níveis de concentração de mercado, o que pode apontar indícios de práticas não isonômicas de competição e abuso de poder econômico.
Instituir regra que impeça expressamente o compartilhamento de dados de consumidores sob guarda das distribuidoras com outros agentes, incluindo comercializadoras do mesmo grupo econômico, exceto quando o compartilhamento for claramente autorizado pelo consumidor. Coibir competição desleal, quando a distribuidora informa comercializadora do mesmo grupo econômico os dados individuais do consumidor que decidiu comprar energia no mercado livre, atravessando negociações com concorrentes com promessas de vantagens, como preço mais baixo, flexibilidade de exigências ou prazo mais curto para migração.
Prever que o sistema informatizado da CCEE, que centralizará informações e fluxos no processo de migração de cada consumidor para o mercado livre de energia, contenha um campo para que seja feita a denúncia do contrato – fase quando o consumidor notifica a distribuidora que deixará de comprar energia elétrica com ela e passará a fazê-lo no ambiente competitivo. Combater possibilidades de abuso de poder econômico, pois as “ocorrências de concorrência desleal são mais suscetíveis de ocorrer quando a distribuidora toma conhecimento do processo de migração e então compartilha informações do consumidor com a comercializadora do mesmo grupo econômico”.
Garantir que o sistema informatizado da CCEE possa fornecer à Aneel relatórios com informações consolidadas sobre diversos aspectos relacionados à migração de consumidores para o mercado livre de energia. Permite à agência reguladora atuar contra casos de competição desleal no mercado e abusos de poder econômico, sendo informada, por exemplo, quando prazos entre notificação e migração são mais rápidos ou demorados dependendo se a migração ocorre com comercializador do mesmo grupo econômico da distribuidora ou não.
Abertura de consulta pública para regulamentar o conceito de Open Energy, pelo qual o consumidor, proprietário dos próprios dados individuais de consumo, pode compartilhar tais informações com quem escolher, incentivando o recebimento de propostas de concorrentes com ofertas mais vantajosas. A medida é relevante para deixar evidente que o compartilhamento de dados dos consumidores entre empresas do mesmo grupo econômico só pode ocorrer se o consentimento expresso for dado pelo consumidor e, quando isso ocorrer, promover a concorrência em benefício dele.

 

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