A Abraceel realizou “live” no dia 06.10 para discutir o potencial da agregação para conferir flexibilidade ao mercado elétrico brasileiro. O evento contou com palestra de João Carlos Mello (Thymos Energia) e sessão de debates com a participação especial de Ana Carla Petti (Comerc), Fabiano Fuga (EDF) e Gustavo Martinelli (CCEE).
João Carlos Mello analisou os fatores que passaram a exigir mais recursos de flexibilidade no mercado de energia elétrica brasileiro, e explicou a diferença entre conceitos, como os de produção de potência e energia, quando ressaltou que, segundo estimativa do ONS, a necessidade de rampa dobrará entre os anos 2024 e 2028, de 25 GW para 50 GW. Mello ainda indicou caminhos para viabilizar um mercado consistente de flexibilidade, como hidrelétricas e termelétricas fora da reserva de capacidade, armazenamento e programa de resposta da demanda.
O CEO da Thymos frisou que a correta sinalização de preços é fator essencial para o sucesso de um mercado de flexibilidade – e que os custos devem ser pagos por aqueles que não contribuem com flexibilidade nos momentos de maior demanda desses recursos. Nessa linha, afirmou que as hidrelétricas, por exemplo, por lacunas da regulação, não são remuneradas pela flexibilidade oferecida.
Há dificuldade em separar e precificar serviços regulares e ancilares
Ana Carla lembrou que a discussão não é nova e que a dificuldade para controlar o sistema é crescente. Destacou que os agregadores podem prestar serviços ancilares, mas reconheceu a complexidade para separar e precificar corretamente serviços regulares e ancilares. Para ela, é importante haver definições claras do que é cada serviço e o que deve ser remunerado para que haja atratividade para o agregador. Apontou ainda a relevância de novas estruturas tarifárias e correta sinalização de preços para todos os consumidores, inclusive os regulados, em um contexto de abertura total de mercado.
Fabiano Fuga apontou o potencial para os comercializadores varejistas atuarem como agregadores no Brasil, já que possuem mandato das cargas dos consumidores representados. O executivo ressaltou ser fundamental que o preço reflita com maior exatidão a realidade do sistema e que o mercado brasileiro já poderia ter “dupla contabilização com preço em tempo real” e com granularidade menor. Isso cria oportunidades para quem pode oferecer flexibilidade e o comercializador, nesse sentido, terá papel relevante, inclusive com possibilidade de fazer ofertas compostas ao unir diferentes consumidores em um produto que, sozinhos, eles não conseguiriam participar.
Gustavo Martinelli explicou que a atual integração dos sistemas via APIs é um suporte para o avanço da agregação, ao permitir um fluxo de informações mais ágil entre os agentes. O avanço no processo de abertura do mercado será uma oportunidade para o comercializador ter uma “massa maior” de cargas para “diminuir tensão em bloco”. Em um primeiro momento, segundo Martinelli, a migração vai oferecer redução de tarifas para, depois, ofertar novos produtos, mais sofisticados. O executivo da CCEE ainda ressaltou o potencial para o comercializador varejista atuar na agregação de excedentes de geração distribuída, inclusive atrelados a baterias, quando disponíveis. A correta sinalização e preços será fundamental para viabilizar essa operação, disse.
Acesse no YouTube da Abraceel a live completa.
