Com presença de especialistas de mais de dez países no palco e plateia, a edição internacional do Encontro Anual do Mercado Livre de Energia 2025, realizada nos dias 26 e 27 de novembro, no Royal Palm Plaza Resort, em Campinas, em São Paulo, foi marcada pela exposição de desafios presentes e soluções implementadas em outros mercados de energia, com debates voltados para propostas e práticas para aperfeiçoar o funcionamento do mercado nacional. O evento contou com mais 300 pessoas, entre agentes públicos e privados.
A iniciativa fez parte das celebrações pelos 25 anos da Abraceel e marcou a criação de uma programação focado em abordar as experiências internacionais trazidas por especialistas de outros países.
Presença internacional de peso
Especialistas dos países participantes trouxeram análises sobre integração regional, formação de preços, segurança do mercado, flexibilidade, digitalização, varejo, modelos de mercado e experiência do consumidor. A programação foi cumprida em um momento especial para mercado brasileiro – na mesma semana, ocorreu sanção da Lei 15.269/2025, originada da MP 1.304, que estabeleceu um cronograma para a abertura do mercado nacional de energia elétrica para todos os consumidores, entre outras medidas.
Os temas foram apresentados e debatidos por especialistas brasileiros e estrangeiros – com especial participação de Devrim Celal (Reino Unido), Teresa Company (Espanha), João Nuno (Portugal), Laurent Nery (França), Alex Cruickshank (Austrália), Sebastián Novoa e Rodrigo Moreno (Chile), Andrea Lozano (México), Marta Aguillar e Diana María Pérez Orozco (Colômbia), Andrés Osta (Uruguai), Juan Alberto Luchilo (Argentina) e Fabio Lucantonio (Paraguai).
Destaques do Encontro Internacional do Mercado Livre
O talkshow com keynote internacional destacou a crescente relevância dos medidores inteligentes, apontados como essenciais para ampliar a eficiência, transparência e qualidade do fornecimento de energia. Outro ponto relevante foi o papel da inteligência artificial, especialmente na operação de data centers e na otimização do sistema elétrico. Discutiu-se ainda o avanço das energias renováveis e o uso de baterias. Por fim, Devrim Celal, Diretor de Flexibilidade e Marketing da KRAKEN, mencionou que Brasil e Turquia serão os focos estratégicos da empresa nos próximos anos, como focos de negócios.
No painel de Panorama dos Mercados Livres Ibero-Americanos, foram apresentados destaques regulatórios e estruturais de diversos países. Portugal e Espanha, mais avançados em liberalização, compartilham o mesmo modelo de formação de preços, mas com valores distintos devido aos encargos, que em Portugal chegam a 18 euros/MWh em 2025. Na Espanha, foi enfatizado que há elevada flexibilidade renovável e o mercado de preços diários baseados em ofertas. Já na Colômbia há desafios com a falta de medição inteligente entre todos os consumidores. No México, há mudanças importantes em curso, decorrentes da reforma de 2025, especialmente sobre contratos renováveis, distribuição e transmissão. No Chile, o preço formado por custos, mas com grandes discussões sobre oferta, além de forte pressão pela liberalização total do mercado.
Na discussão sobre formação de preços, o ONS reforçou a importância de uma governança robusta nos processos de transferência e adoção dos modelos computacionais. A padronização e a confiabilidade técnica foram destacadas como pilares para garantir previsibilidade e segurança no mercado.
No tema de integração energética, foram apresentadas oportunidades de ampliar a importação e exportação de energia, impulsionadas pela integração regional entre os países vizinhos. O MME destacou avanços com Argentina e Uruguai, e sinalizou que novas conversas estão em curso com a Bolívia. Apesar dos avanços, ainda existem desafios significativos relacionados a investimentos em infraestrutura, padronização técnica e diferenças regulatórias e de mercado entre os países.
O painel de varejo abordou o rollout de medidores inteligentes pelas distribuidoras e a necessidade de entregar soluções simples e intuitivas ao consumidor. Também foi destaque o uso de inteligência artificial para analisar dados de consumo e aprimorar a experiência do cliente no mercado varejista de energia.
