O Presidente-Executivo da Abraceel Rodrigo Ferreira participou de evento realizado pela CCEE no dia 29 de abril para analisar a segurança e a formação de preços no mercado livre de energia.
Para cerca de 200 pessoas, ele explicou as diversas razões que contribuem para a existência de uma crise de liquidez no mercado de energia atualmente e alertou para algumas consequências, principalmente para dificuldades enfrentadas pelos consumidores. Veja o resumo.
- É necessário reconhecer que, quando todos os compradores assinam um manifesto afirmando que está faltando liquidez, não é possível duvidar que não esteja faltando liquidez. Não são os comercializadores que estão reclamando sozinhos, são todos aqueles que compram energia no mercado. Para começar a tentar resolver, é preciso concordar com o diagnóstico.
- Confunde-se falta de liquidez com abuso de poder de mercado. A Abraceel está fazendo um estudo que mostrará que a falta de liquidez é motivada por vários fatores. Já é possível dizer que “curtailment” e GSF são dois fatores muito importantes.
- Não há reclamação com relação ao sinal de preços horário e à matriz diversificada. Ter matriz diversificada é obrigação do Brasil, país que tem essa condição.
- A segurança passa antes de tudo dentro de cada empresa – só se faz negócio com quem se quer e só se assume o risco que se deseja. Não é justo transferir 100% da responsabilidade para terceiros. É preciso assumir as responsabilidades.
- A Abraceel está muito preocupada, na formação de preços, com a governança. Está mais difícil entender como o preço varia. Há usinas no deck para as quais ninguém olhava muito, não fazia diferença olhar para uma usina de 49 MW, que não impacta uma matriz de mais de 200 GW. Agora, foi considerada no deck uma usina de 49 MW e mudou o preço significativamente. Essa usina não estava no radar, então as casas foram olhar. Ela não foi homologada pelo CMSE e a Abraceel questionou o rito, que exige essa homologação prévia. O fato de ser uma prática corriqueira não justifica negligenciar o rito, pois sempre haverá uma reunião do CMSE e sempre haverá um PMO em seguida.
- A Abraceel sempre foi favorável a modelar as usinas individualmente, mas alertou que o modelo (Newave Híbrido) não estava pronto – e foi feito assim mesmo. Agora, não está convergindo, será necessário parar em 50 iterações.
- A matriz não está somente diversificada, ela está sobretudo desequilibrada. Se o preço reflete um cenário em que durante o dia sobra energia e à noite falta, tem algo errado. Não é porque na Europa é assim que está correto aqui, já que a Europa não teve oportunidade de montar uma matriz equilibrada como o Brasil teve e tem.
- A falta de previsibilidade prejudicou o trading porque se não há capacidade de prever o preço do produto, ninguém coloca produto no mercado. Não é correto apontar que a liquidez secou porque não houve adaptação ao preço-horário ou à matriz mais diversificada.
- Abraceel sempre teve preocupação com poder de mercado. As características do Brasil demandam atenção ao peso de poucos geradores ou de algumas fontes em determinados mercados.
- Sobre aversão ao risco, a Abraceel fez estudos e verificou que a solução mais otimizada para entregar segurança energética ao menor custo é o par 15,30. Todos os outros pares entregam segurança energética, mas a um custo maior.
- É importante apoiar o movimento do ONS de trazer para si o desenvolvimento dos modelos matemáticos. O preço por oferta deve ficar mais para frente. Agora, deve-se dar apoio para colocar em uma entidade independente e equipada esse desenvolvimento, com código aberto e de forma participativa. A Abraceel enaltece esse movimento. O Meta 2 é um estudo que foi entregue e agora precisa ser decantado. O imediato é apoiar o desenvolvimento dos modelos no ONS.
